Paciência, um Sofrimento Voluntário

Francisco BingreTu és, ó Paciência, um sofrimento 
Voluntário, fiel, bem ordenado, 
Da conhecida sem razão tirado, 
De um constante varão nobre ornamento. 

Tu, recolhendo n'alma o pensamento, 
Suportas com valor o Tempo irado. 
Tu sustentas, com ânimo esforçado, 
Todo o peso do mal, no bem atento. 

Magnânima tu és, tu és Constância, 
Cedro que não derruba a tempestade, 
Rocha, onde a fúria quebra o mar com ânsia. 

Tu triunfas da mesma Adversidade. 
Subjugando as paixões co'a Tolerância, 
Tu vences os ardis da vil Maldade. 


Francisco Joaquim BingrePortugal1763 // 1856Poeta

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