Derramado

Fernando NamoraRaro e vazio dia. 
Calmo e velho dia. 
Os membros lassos debruados deste cansaço sem porquê. 

Raro e vazio dia, 
assim inteiro e implacável 
na solidão grave e trágica do meu quarto nu. 

Perdido, perdido, este vagabundear dos meus olhos 
sobre os livros fechados e decorados, 
sobre as árvores roídas, 
sobre as coisas quietas, quietas... 

Raro e vazio dia 
na minha boca pálida e pouca, 
sem uma praga para quebrar a magia do ópio! 


Fernando NamoraPortugal1919 // 1989Escritor/Poeta/Médico

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