Velha roda abandonadaDe vida pouco lhe resta
Ali num canto deixada
Como algo que já não presta.
Hoje em avançada idade
É marca do tempo ido
Já não tem utilidade
É ferro velho perdido.
Mas aos olhos do poeta
A roda nunca morreu
Hoje embora obsoleta
De si muito ao mundo deu.
O poeta deu-lhe a mão
E com ela conversou
Em jeito de confissão
A sua historia contou.
Dei zelo ao que fui e fiz
Sempre com muita humildade
Minha missão foi feliz
Por servir a humanidade.
Disse num tom comovida:
Fazer bem não se condena.
Para quem faz bem na vida
Viver vale sempre a pena !...
Euclides cavaco
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