Quando eu morrer, eu sei, tu escreverás Triste soneto à morte prematura; Dirás que a vida cansa em amargura E, pálido e frio, tu me cantarás. Nas quadras, reflectido se lerá De como, vã e breve, a vida expira E como em terra funda, dura e fria, A vida, má ou boa, acabará. A seguir, nos tercetos, tu dirás Que a morte é mistério, tudo fugaz, Verdadeira, talvez, a vida além. Por fim porás a data, assinarás. E, relido o soneto, ficarás Contente por tê-lo escrito bem.
- Alexander Search
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